sábado, 25 de setembro de 2010

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim."
-Charles Chaplin

domingo, 19 de setembro de 2010

"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não dessa vez não é tão simples, não é só ligar o foda-se e ser feliz, dessa vez a vida ta exigindo de mim toda uma reeducação, uma mudança interna e profunda pra mais tarde, quem sabe, se pensar em mais uma mudança externa e então em fim poder mudar o que há ao meu redor. Vou preparada, bem preparada como pra toda boa guerra, fácil nessa vida nada é, mas dessa vez tenho os objetivos bem traçados, uma consciência mais aprofundada e mesmo que ainda muito confusa uma necessidade enorme de viver fazendo algum sentido pra mim, uma necessidade de criar raízes mesmo que provisoriamente, redescobrir tudo o que um dia fiz questão de abandonar e voltar pro lugar onde os cortes foram abertos é o único lugar talvez que guarde minha cura. E sim, eu quero me curar de toda essa loucura, toda essa inconstância, essa busca por um prazer mórbido, efêmero e vulgar. Eu quero voltar a olhar o por do sol sem uma lágrima pra me embasar a visão, olhar a lua ao lado de alguém e saber que nada eterno, mas que um momento pode ser inesquecivelmente belo, sem promessas e sem amaras. Quero ler mais uma vez numa tardizinha chuvosa O Pequeno Príncipe, O Mundo de Sofia ou uma carta de alguém tão romântico quanto eu a ponto de ainda escrever cartas e que mesmo que essa carta não seja de amor, que ofereça algum conforto para a alma. Quero ter amigos de chuva e de sol, de bebedeiras de musicas velhas, de rua augusta de porto da barra, ou simplesmente do barzinho ali da esquina, amigos que sejam tão descobridores como eu e que me ajudem a saciar essa sede de mundo, amigos pra colecionar fotos e cartões postais. Mas eu quero também tardes de domingo pra ir ao cinema sozinha ver um filminho água com açúcar. Quero dias inteiros em frente ao mar, quero estradas e quero curvas, montanhas, calmarias e também, tudo mais que possa fazer o coração disparar. Quero dar um novo sentido a toda saudade que sinto, reciclar os sentimentos, e jogar fora o que não prestar pra mais nada, fazer uma fogueira numa noite de lua cheia e deixar arder. Quero saber que gosto tem o prazer do reencontro, quero dividir experiências me alegrar com as descobertas alheias... Num primeiro momento tenho que deixar de ser tão egoísta, racionalista, individualista. Encontrar um equilíbrio, controlar toda essa fúria, aceitar sem fricotes os nãos, dizer menos nãos pra vida. É necessário além de todo controlar essa impulsividade de ariscar de mais, de deixar o coração tão solto, de mergulhar de cabeça em ilusões e sonhos que não são meus. Paradoxalmente é primordialmente necessário me entregar por inteiro quando resolver dar um passo, aceitar o amor de peito aberto e cara limpa reconhecendo os riscos mas saboreando o pleno prazer de se entregar. Levar a vida menos a sério, sorrir mais, cantar mais, dançar mais, voar mais.

Letícia Almeida

sábado, 4 de setembro de 2010

Confederação Helvética

A Suíça pra mim continua sendo o lugar para onde vou só pra não passar o Natal sozinha.
Só pra me acertar com meus fantasmas. Só, e nesse só, nem mas a loucura vai me fazer companhia.
É o lugar pra onde vou, quando o resto do mundo se torna inóspito.
É o lugar que faz, fazer sentido o caledário.
É o lugar que reúne céus e terra e onde não há perigo quando o bem e o mal resolvem se dar as mãos.
É o pesadelo que me serve de refúgio, é o sonho sempre interrompido.
É a mais plena alegria quando raia o sol, é o eterno inverno e tormentos.
É a boneca nova, a música velha.
É a criança sem infância, a selva de pedra abençoada.
O outro lado do oceano, a terra firme.
É o porto seguro, o farol em ruínas.
Os nervos em frangalho, o medo constante, o frio na barriga.
É o tesouro roubado, é o que se tranca à sete chaves.
É a história mal contada, a verdade inventada.
É a tradução mas fiel do que é saudade.
É as noites de luar, a conversa de botas batidas.
É o trem perdido, é a hora errada.
São poucos lugares e muitos nomes.
Janela fechada, porta aberta.
O coração de pedra lá de Basileia, sangrando em verde e amarelo.
É o que arde e queima, é o grito preso na garganta.
É despedida e recomeço.
É esperança e desafio.
É pouca vida pra tanta lágrima.
É pouca poesia pra tanta prosa.

Letícia Almeida

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Agora o avesso, ou quem sabe o lado direito

Te conhecer tá sendo simplesmente uma delícia, é uma paz, não aquela paz chata sem cor de tarde de domingo sabe? Ah, sabe, é como se eu tivesse encontrado aquele botãozinho que faz com que as coisas ganhem cor. Vc com esse seu jeito de moleque que sempre tem uma boa palavra à dizer, esse seu olhar de quem pergunta, deixa? Ah, eu deixo sim... Ah, vc... uma tarde de domingo sem internet e uma par de patins... “Quem diria que viver daria nisso.” Calma, não se preocupe eu tenho mania de por poesia em tudo, absolutamente tudo viu?

 Dar e deixar me trouxe pra tão mais perto de mim... Te dar um pouco e dar a mim a chance de deixar alguma coisa boa entrar... Me redescobrir, aliás vem cá, algum anjo te mandou pra me fazer lembrar dos dias que eu cosidero até então os melhores da minha vida? Ah, pode parecer besteira, mas sabe, aquelas lambrancinhas, aqule “lugarzinho” vc sabe né? Eu tinha me esquecido, toda a euforia, a ternura e as descobertas que deixei ali naquele “lugarzinho”, é engraçado, parece clichê, mas eu tinha me esquecido. Um momento legal, faz lembrar algo especial, e tudo fica bem mais lindo...

 É tudo bem, eu gosto de você... poxa, não doeu! É não doeu dizer que gosto de alguém, gostando pelo prazer de gostar e não poque deu tempo de gostar. Ah, eu não quero mais nada, logo eu que sempre fui barco sem amaras, hoje me sinto cais, então barquinho, “passa por aqui e sorri”! Passa, se quiser voltar, volta, mas passa, eu sou cais, outros barquinhos vão passar. Mas mesmo quando passar vc vai ficar na listas de pessoas pra quem eu ligo quando a felicidade é grande demais pra caber só em mim... Aliás, hoje eu joguei fora minhas listas... Então vc vai ficar aqui, talvez mais aqui no fundo, talvez fazendo parte dessa enorme alegria... talvez, mas hoje eu joguei fora as listas e apesar dos nãos, hoje me sinto feliz.

Letícia Almeida
"Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu eu gosto de você porque gostar não faz sentido. (...)Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.(...)porque cansei dessa gente que manda ter mais calma.(...) E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos."
-Tati Bernardi