Não dessa vez não é tão simples, não é só ligar o foda-se e ser feliz, dessa vez a vida ta exigindo de mim toda uma reeducação, uma mudança interna e profunda pra mais tarde, quem sabe, se pensar em mais uma mudança externa e então em fim poder mudar o que há ao meu redor. Vou preparada, bem preparada como pra toda boa guerra, fácil nessa vida nada é, mas dessa vez tenho os objetivos bem traçados, uma consciência mais aprofundada e mesmo que ainda muito confusa uma necessidade enorme de viver fazendo algum sentido pra mim, uma necessidade de criar raízes mesmo que provisoriamente, redescobrir tudo o que um dia fiz questão de abandonar e voltar pro lugar onde os cortes foram abertos é o único lugar talvez que guarde minha cura. E sim, eu quero me curar de toda essa loucura, toda essa inconstância, essa busca por um prazer mórbido, efêmero e vulgar. Eu quero voltar a olhar o por do sol sem uma lágrima pra me embasar a visão, olhar a lua ao lado de alguém e saber que nada eterno, mas que um momento pode ser inesquecivelmente belo, sem promessas e sem amaras. Quero ler mais uma vez numa tardizinha chuvosa O Pequeno Príncipe, O Mundo de Sofia ou uma carta de alguém tão romântico quanto eu a ponto de ainda escrever cartas e que mesmo que essa carta não seja de amor, que ofereça algum conforto para a alma. Quero ter amigos de chuva e de sol, de bebedeiras de musicas velhas, de rua augusta de porto da barra, ou simplesmente do barzinho ali da esquina, amigos que sejam tão descobridores como eu e que me ajudem a saciar essa sede de mundo, amigos pra colecionar fotos e cartões postais. Mas eu quero também tardes de domingo pra ir ao cinema sozinha ver um filminho água com açúcar. Quero dias inteiros em frente ao mar, quero estradas e quero curvas, montanhas, calmarias e também, tudo mais que possa fazer o coração disparar. Quero dar um novo sentido a toda saudade que sinto, reciclar os sentimentos, e jogar fora o que não prestar pra mais nada, fazer uma fogueira numa noite de lua cheia e deixar arder. Quero saber que gosto tem o prazer do reencontro, quero dividir experiências me alegrar com as descobertas alheias... Num primeiro momento tenho que deixar de ser tão egoísta, racionalista, individualista. Encontrar um equilíbrio, controlar toda essa fúria, aceitar sem fricotes os nãos, dizer menos nãos pra vida. É necessário além de todo controlar essa impulsividade de ariscar de mais, de deixar o coração tão solto, de mergulhar de cabeça em ilusões e sonhos que não são meus. Paradoxalmente é primordialmente necessário me entregar por inteiro quando resolver dar um passo, aceitar o amor de peito aberto e cara limpa reconhecendo os riscos mas saboreando o pleno prazer de se entregar. Levar a vida menos a sério, sorrir mais, cantar mais, dançar mais, voar mais.
Letícia Almeida
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