sábado, 4 de setembro de 2010

Confederação Helvética

A Suíça pra mim continua sendo o lugar para onde vou só pra não passar o Natal sozinha.
Só pra me acertar com meus fantasmas. Só, e nesse só, nem mas a loucura vai me fazer companhia.
É o lugar pra onde vou, quando o resto do mundo se torna inóspito.
É o lugar que faz, fazer sentido o caledário.
É o lugar que reúne céus e terra e onde não há perigo quando o bem e o mal resolvem se dar as mãos.
É o pesadelo que me serve de refúgio, é o sonho sempre interrompido.
É a mais plena alegria quando raia o sol, é o eterno inverno e tormentos.
É a boneca nova, a música velha.
É a criança sem infância, a selva de pedra abençoada.
O outro lado do oceano, a terra firme.
É o porto seguro, o farol em ruínas.
Os nervos em frangalho, o medo constante, o frio na barriga.
É o tesouro roubado, é o que se tranca à sete chaves.
É a história mal contada, a verdade inventada.
É a tradução mas fiel do que é saudade.
É as noites de luar, a conversa de botas batidas.
É o trem perdido, é a hora errada.
São poucos lugares e muitos nomes.
Janela fechada, porta aberta.
O coração de pedra lá de Basileia, sangrando em verde e amarelo.
É o que arde e queima, é o grito preso na garganta.
É despedida e recomeço.
É esperança e desafio.
É pouca vida pra tanta lágrima.
É pouca poesia pra tanta prosa.

Letícia Almeida

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